Bel tem oito anos e uma apresentação importante a fazer.
Preparou o currículo, organizou seus argumentos e chegou disposta a ocupar uma cadeira de liderança. Quero filmar essa candidatura com toda a atenção que ela acredita merecer.
Acompanhamos sua lógica e, aos poucos, percebemos para onde sua pergunta aponta: as mulheres que já estão prontas e continuam esperando uma oportunidade.
Quanto mais a sério levamos Bel, mais evidente fica o absurdo da situação.
03 / A personagem
CONHEÇA Bel.
Bella como Bel.
Bella como Bel
Gravamos o início do roteiro. O teste apresenta a candidata; o universo visual do filme se desenvolve nos capítulos seguintes.
UM FILME de atuação.
A força da mensagem depende de acreditarmos na Bel.
Precisamos deixar de enxergar a atriz e acompanhar o pensamento da candidata. O texto deve fluir como uma conversa, sem teatralidade: ela formula, reage e defende o que acredita.
Belinha é uma excelente atriz com quem já trabalhei, e acredito que sustenta muito bem esse papel. Nos ensaios, vamos encontrar uma fala viva, com pausas que nasçam da intenção e da escuta.
04 / Atuação & humor
ELA QUER A VAGA.
Cada frase tem uma intenção. Cada gesto tem um motivo.
Vamos dirigir a partir de objetivos concretos: apresentar uma competência, defender um raciocínio, conquistar a atenção de quem está ouvindo. A pausa e o gesto nascem dessa intenção.
Consultar uma anotação ou escolher uma folha dão função às mãos e tempo ao pensamento.
O pensamento no gesto
Ela acredita no que está apresentando.
Onde está a graça?
Na importância que Bel atribui à própria experiência. Uma pausa precisa pode ser suficiente.
Pequenas gags. Levadas a sério.
Teremos gags pontuais, pequenos detalhes que reforçam o absurdo da situação. Bel pode fazer uma anotação importante com uma caneta de pompom fofinho, consultar o caderninho rosa ou fechar uma pasta com um adesivo de bichinho.
Ela trata tudo com a mesma seriedade. O humor aparece no encontro entre o gesto profissional e esses sinais da infância.
Atitude, atuação & imagem
IPANEMA. Presença em estúdio.
Ipanema / Você não é todo mundo
Ipanema é nossa referência central de atitude e presença no estúdio branco. Interessa a segurança das crianças ao assumir a fala, junto da clareza com que corpo e gesto ocupam o quadro.
Atuação, câmera & espaço
Uma criança. Toda a convicção.
Atuação, movimento e cortes dentro de uma única situação.
Uma menina no papel de terapeuta
A menina ocupa uma função adulta com convicção. A câmera se aproxima, muda de escala e encontra novas posições, enquanto poucos móveis estabelecem o consultório. Essa articulação entre atuação, espaço e cortes também orienta a apresentação de Bel.
O protocolo formal, a convicção e o tempo da resposta sustentam o humor. Em Bel, buscamos uma interpretação mais contida.
05 / Direção de arte
UM ESCRITÓRIO. Poucos elementos.
O vazio dá peso à presença. Os objetos dão lugar à ação.
Uma mesa, uma cadeira e os materiais da candidatura formam o espaço de Bel. Ao redor, o estúdio deixa o corpo ocupar o quadro e permite que cada elemento tenha uma função.
Courir / Like Dad
Cada objeto precisa entrar na conversa.
Mesa & cadeira
Mobiliário adulto de desenho simples. O plano aberto revela a escala da menina nesse lugar.
Materiais da candidatura
Papéis, caderno e caneta participam das ações. Moedas ou cofrinho podem tornar concreta a defesa sobre gestão de budget. Os detalhes infantis aparecem nos momentos de humor.
Diferentes ambientes
Dentro do mesmo estúdio, podemos criar diferentes ambientes: a mesa, a área do flipchart, o cantinho do café. Esses espaços ampliam as possibilidades de atuação de Bel e justificam mudanças de plano e de posição.
Madeira, metal, papel e tecido dão materialidade aos poucos elementos do cenário.
06 / Figurino & beleza
VESTIDA PARA ESSA conversa.
Roupa de candidata. Corpo de menina.
Bel deve se vestir como uma mulher que está se candidatando a uma vaga de CMO: alfaiataria, camisa, uma escolha formal para uma ocasião importante.
A graça aparece no caimento um pouco imperfeito. O blazer pode sobrar nos ombros, a manga ficar longa, a calça pedir uma dobra. Essa pequena sobra torna visível a roupa de adulta no corpo da menina.
Vamos encontrar essa medida na prova de figurino, junto dos gestos à mesa. Cabelo e beleza acompanham o cuidado de quem chegou preparada para ser ouvida.
Big · 1988
O desencontro entre corpo e terno é a referência. Em Bel, vamos buscar uma sobra mais discreta nos ombros e nas mangas.
07 / Fotografia · textura & luz
UMA IMAGEM QUE fica.
Uma imagem orgânica. Com matéria e presença.
Quero uma fotografia memorável, com uma dose de estranheza que nos faça olhar outra vez. A textura e a luz vão dar uma expressão própria à presença de Bel.
Um grão um pouco mais carregado traz matéria à pele e aos tecidos, afastando a sensação digital excessivamente limpa. Essa escolha também carrega sentido: estamos falando de um problema antigo, que atravessa o tempo e continua persistente.
Mesmo no estúdio branco, a luz terá direção e contraste. Uma fonte suave, bem desenhada, preserva o lado de sombra do rosto e dá volume ao blazer, à madeira e ao papel. O fundo claro deixa o corpo respirar dentro de um espaço com profundidade.
O eixo frontal, próximo à altura dos olhos, estabelece a conversa. O médio acompanha fala e mãos; o aberto revela a relação com o mobiliário; o próximo concentra a atenção numa reação ou num argumento.
A câmera também pode se aproximar e mudar de posição junto da atuação. Na referência da menina terapeuta ↗, essas variações renovam uma única situação.
O aberto situa a conversa.O próximo encontra a reação.
Deslocar o ponto de vista.
Em passagens escolhidas, podemos trazer ângulos inusitados e uma distorção controlada. O enquadramento encontra a intenção da frase.
Movimento de câmera
Um afastamento da câmera ou uma mudança de ângulo pode revelar Bel de maneira inusitada. O que parecia apenas um ambiente adulto ganha outro sentido quando o novo enquadramento mostra uma criança fora de seu lugar comum. Essa descoberta pode ser uma boa abertura para o filme.
Contra-plongée
A câmera baixa empresta grandiosidade à candidata e altera a escala do mobiliário.
Dutch angle
Uma inclinação pontual pode dar ênfase a uma defesa ou a uma frase específica.
Fisheye próximo
A proximidade com a lente pode ampliar o primeiro plano e distorcer a relação entre corpo e espaço. Vamos encontrar sua medida nos ensaios de câmera.
Proximidade, altura & inclinação.
09 / A virada
“
Será que eu estou adiantando minha carreira? Ou será que é o mercado atrasando a de tantas mulheres?
A pergunta permanece.
A candidatura chega ao seu ponto: quem tem o poder de abrir espaço precisa responder.
10 / Montagem, som & grafismos
O TEMPO DE CADA gesto.
Ela escolhe onde colocar a ênfase.
Podemos brincar com os cortes como se Bel escolhesse a câmera para destacar uma frase ou defender um ponto. Ela se volta para outra lente, e a montagem acompanha essa decisão.
Planejar mudanças de eixo, escala e posição junto das ações dá ritmo e permite transitar entre os pequenos núcleos do estúdio com naturalidade, evitando saltos involuntários entre os planos.
As gags pedem precisão: o instante de perceber um detalhe, a pausa antes de concluir uma resposta. Quando a pergunta final chega, os planos ganham permanência e damos tempo ao olhar.
Papel, caneta e pequenos movimentos aproximam o espectador da mesa. A voz conduz; uma eventual trilha pode se tornar mais rarefeita no final. Os grafismos identificam a candidata, apresentam a informação necessária e assinam o W2W.
Bel chegou antes da hora. E tantas mulheres continuam esperando.
CEDO DEMAIS? OU TARDE DEMAIS?
12 / Agradecimento
OBRIGADO.
Vamos fazer esse filme juntos.
Obrigado à Asia, aos criativos e à equipe do Meio & Mensagem pela oportunidade de pensar este filme. Acredito muito neste projeto e no impacto positivo que ele pode ter ao colocar em discussão uma questão que continua tão presente na nossa sociedade.
Estas são as primeiras ideias de um caminho que quero construir junto com vocês. A troca entre nós vai aprofundar a proposta e encontrar a melhor forma de dar vida à Bel e fazer sua pergunta chegar às pessoas.
Vejo também um caminho concreto para viabilizar o filme com a qualidade que estamos propondo. Eu assumiria a direção e a direção de fotografia. Na Hazze, já temos grande parte da estrutura necessária, incluindo estúdio com fundo infinito e equipamentos. Podemos reunir uma equipe de parceiros para realizar esse universo com o cuidado de atuação, imagem e acabamento que ele pede.